Um dia algures no princípio do ano, fomos
surpreendidos com o convite para os “Caminhos do Contrabando”, organizado pelos
amigos do MC Porto, para o feriado do dia 25 de Abril, com a base em Castelo de
Vide. Que grande confusão, não vos parece? Explicando: em boa hora o Ernesto Brochado
e os seus companheiros, tiverem a ideia de, ao não efectuarem este ano o seu
habitual motorali, substituírem essa actividade por um novo formato de passeio
motociclístico, com 3 dias de duração. Achamos interessante e resolvemos
aderir. Assim decidimos ir picar o ponto inicial a Évora, no dia 25 de Abril,
pelas 10h, tendo rolado calmamente pela EN4, até ao ponto de encontro, onde
deparamos com um original pórtico, por onde tínhamos que passar e que originou
a curiosidade de todos os passantes, especialmente quando se começaram a juntar
mais motos, nomeadamente os animados marafados do MC de Albufeira. Parecia os
bons velhos tempos do rally de Monte Carlos, com várias partidas de capitais
europeias (Lisboa chegou a ser uma delas). Foi com os companheiros algarvios, que
rolamos até Castelo de Vide, onde chegamos cerca das 12h, para o sensacional
ponto de encontro, bem no centro (onde tinha sido a chegada duma etapa do LaL
do ano passado). Fomos buscar a documentação e umas agradáveis senhas (5) que
podíamos usar em diversos bares, devidamente assinalados, para ir picando e
bebendo, começando logo ali com um delicioso pratinho de feijão. Ao nosso
grupo, quem se juntou? O Vinagre e a São. Estava o baile armado, como podem
imaginar. Rapidamente as senhas se esgotaram, mas a sede continuava a imperar
(ou melhor…a imperialiar). A tarde foi entrando, assim como a inegável boa
disposição, especialmente quando ao grupo original se juntava mais amigos, tipo
Gil Alcoforado e Clara, Victor Alexandre, Luis Amaral e mulher, João Krull e
Carla, não esquecendo o simpático Presidente da edilidade, que nos proporcionou
bons momentos de riso, com as suas anedotas. A ajudar ao riso, não nos podemos
esquecer das garrafas de ginja “The Famous Grouse”. Pelo final da tarde havia
um passeio, pelas redondezas, para ver o pôr-do-sol em diversos miradouros.
Teve que ser um passeio feito muito calmamente…….pois, estão a imaginar, não
estão? Houve até quem optasse por ir dormir, pois as pestanas estavam muito
pesadas……ehehhehehe.
Para descrever globalmente as festas, socorro-me do
texto seguinte, cujos escribas, são os mesmos que nos brindaram com esta
magnifico fds grande.
“…À Descoberta de sucesso absoluto
Os sorrisos e
aplausos no almoço final, no aprazível espaço da barragem de Póvoa e Meadas,
foram a prova inequívoca do enorme sucesso da primeira edição do passeio À
Descoberta – Castelo de Vide 2014 - Caminhos do Contrabando. Conceito
mototurístico inovador que confirmou a validade da aposta do Moto Clube do
Porto em fim de semana de diversão e gastronomia, de paisagens e condução, de
história e... liberdade.
Conhecer em
pormenor uma região, esmiuçar a paisagem de ambos os lados da fronteira na
busca das rotas contrabandistas, procurar e interpretar sinais que tornaram
Castelo de Vide importante marco na história do judaísmo em Portugal e
descobrir o peso geoestratégico da vila alentejana na consolidação da Nação.
Pontos de partida para passeio em moldes pioneiros que atravessou ainda os
verdejantes azinhais das Terras de Alcântara até às graníticas paisagens da
Beira Baixa, passando pelas bem conservadas aldeias da espanhola Serra da Gata.
Tudo num dia pleno de emoções, de enorme intensidade mototurística, com
estradas que exponenciaram o prazer de andar de moto, sempre com tempo
suficiente para transformar cada uma das diversas paragens em momento de
agradável convívio, apaladado com petiscos da gastronomia local.
Mas a inovação
de um evento que primou pela diferença, pela atenção dada a cada pormenor e a
todos os detalhes, começou nos quatro Pontos de Partida Simbólica, montados no
Porto, Conímbriga, Constância e Évora, de onde 222 mototuristas partiram em
resposta ao desafio lançado pela Câmara Municipal de Castelo de Vide,
aproveitando o revolucionário feriado de 25 de abril, para usufruir de viagem
em absoluta liberdade. Forma de ampliar o prazer de viajar desde a porta de
casa, integrando os motociclistas desde o primeiro momento até à chegada à
Sintra do Alentejo. Onde a animação começou de imediato, com uma Ronda das
Tascas que permitiu aconchegar o estômago com petiscos ao longo dos vários
estabelecimentos aderentes, recuperando forças para a interessante visita ao
centro histórico castelo-vidense. A passagem pelo castelo medieval de planta
quadrangular e uma história que remonta aos desaguisados entre os filhos de
Afonso III, D. Diniz e D. Afonso Sanches, na disputa pelos direitos de
sucessão, foi forma de melhor conhecer tão importante marco. Apoiados no
conhecimento de quem sabe, com guias que juntaram enorme simpatia ao absoluto
profissionalismo, os turistas (sem moto) passearam ainda pela judiaria, com
visita à antiga sinagoga e onde as casas com portas de estrutura gótica ogival
denunciam as habitações onde viveram os cristãos-novos, com tempo ainda para
visitar a muito adequada exposição dedicada a Salgueiro Maia, herói de Abril
nascido em Castelo de Vide. Tudo a tempo de voltar a agarrar na moto para visitar
um dos mais interessantes miradouros sobre o vila, apreciando desde o alto de
Nossa Senhora da Penha, um tranquilo e muito agradável fim de tarde antes do
jantar de boas vindas e, claro, o Concerto Sons de Abril, condizente com a
data. Ocasião para por a conversa em dia e antecipar a intensa jornada
mototurística prevista para o dia seguinte...
Prazeres intensos
No programa de
sábado 423 quilómetros, para cumprir calmamente, apreciando em todo o esplendor
primaveril as marcantes paisagens raianas... Ou melhor, aquelas que o denso
nevoeiro deixou entrever, reduzindo o brilho dos primeiros quilómetros que
muito rapidamente levaram a caravana a entrar em Espanha. Nevoeiro e chuva
fraca em reforço de um ambiente que, roubando espetacularidade ao passeio, devolveu
em dobro no aspeto misterioso, reforçando mística que envolvia os
contrabandistas que, em tempos de maiores apertos, por aqui faziam pela vida,
calcorreando serras e vales, fugindo da Guarda Fiscal como o diabo da cruz,
carregando às costas o fardo que prometia aligeirar o peso de uma vida muito
dura. Homens rijos e pouco faladores, que caminhavam de noite para iludir a
vigilância, e dormiam de dia, em pocilgas, para disfarçar o cheiro e enganar os
cães que a Guarda Fiscal treinou para tentar encontrar os seus rastos. Mote
essencial de todo o passeio, sem esquecer a carga histórica da região, como na
passagem por Valência de Alcântara onde o Rei D. Manuel I de Portugal, o
Venturoso, desposou Isabel, filha dos Reis Católicos de Espanha. Ou para descobrir
que, nos bem tratados azinhais das terras de Alcântara são alimentadas mais de
300 mil porcas criadeiras para uma produção anual de 10 milhões de presuntos
Pata Negra. Da bolota que alimenta os suínos, passagem para uma fauna onde
proliferam as cegonhas pretas, os grifos ou águias imperiais ibéricas, motivo
de conversa durante a pequena pausa para reforço alimentar ao início da manhã,
junto à majestosa ponte romana de Alcântara, não sem antes fotografar o não
menos imponente Mosteiro de S. Benito de Alcântara.
Ainda com o sol
escondido acima de denso manto de nuvens, lá subiu o pelotão à Serra da Gata
até à deliciosa aldeia de Robledillo de Gata, plena de motivos de interesse
arquitetónico e... gastronómico. O almoço volante foi opção por todos aplaudida
permitindo comer de forma rápida, sem confusões e com um convívio que um
repasto à mesa dificilmente permitiria. Torre de D. Miguel, Villamiel ou San
Martin de Trevejo foram alvos de visita mais atenta, alcançados sempre por
estradas excelentes, bem asfaltadas, e sempre com a petisquice a estimular o
apetite, provando sabores únicos ao mesmo tempo que se ouviam histórias do
tempo do contrabando do café, da carne, do toucinho, dos figos ou das boinas,
preparando o regresso a Portugal.
E até o sol se rendeu à festa
Já com o sol
por companhia, as colinas de montados, olivais e estevais que emolduram as
aldeias graníticas da Beira Baixa receberam os sempre bem-dispostos
mototuristas, prontinhos para mais uma paragem gastronómica, desta feita na
aldeia-museu de Idanha-a-Velha. No forno comunitário, tempo para provar os
boleimes, de original receita judaica, ou os borrachões, bolo típico
confecionado com azeito, vinho e aguardente, sabores que acompanharam os
aventureiros nas rápidas estradas que marcaram a passagem da Beira Baixa para o
Alentejo, em troços entusiasmantes repletos de curvas apetitosas rumo a Nisa. E
daí até ao regresso a Castelo de Vide, atravessando parte do Parque Natural da
Serra de São Mamede, onde os sorrisos rasgados mostravam o entusiasmo de um dia
de forte pendor mototurístico, apoiado pela empresa Antero e pela BMW Portugal.
Boa disposição
que emprestou excelente ambiente ao jantar e a momentos de relaxe no centro de
Castelo de Vide, preparando uma manhã de descontração absoluta, em passeios de
gaivota, atividades ao ar livre no Parque Aventura, ou na Rota Megalítica,
mostrando a curiosa Anta dos Pombais ou o Menir da Meada, o mais alto da
Península Ibérica. Aperitivo para animado almoço nas margens do lago formado
pela barragem de Póvoa e Meadas, com a tradicional fotografia de grupo a marcar
o ponto final da primeira edição do À Descoberta – Castelo de Vide 2014 –
Caminhos do Contrabando com promessa de continuidade em 2015….”
Uma palavra
final para referir que este modelo está super aprovado, pela tranquilidade e
prazer que nos proporciona. As refeições volantes foram excelentes e muito bem
distribuídas. Parecia que cada vez que o estômago dava horas, a organização nos
brindava com um respasto, realçando a MAGNIFICA! Paella em San Martins de
Trevejo. Uma outra palavra, para o nosso companheiro (pendura!! J ) da viagem de sábado, o Vinagre e a São, que ao virem estrear a máquina
nova, muito alegraram a nossa viagem, embora tenha aprendido muitas palavras “estranhas”,
durante todo o dia….ahahah.
No último dia
depois do almoço na paisagem da Barragem de Póvoa e Meadas, o regresso foi calmo,
rolando em conjunto com um grupo de amigos, até casa, com paragem em Nisa e
Couço, já que o calor apertava e assim podíamos desfrutar melhor do passeio.
Uma última
palavra: Parabens MC Porto!!
As memórias fotográficas do passeio, podem ser vistas em:
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