sábado, 23 de agosto de 2014

2014.04.25/27 - CAMINHOS DO CONTRABANDO

Um dia algures no princípio do ano, fomos surpreendidos com o convite para os “Caminhos do Contrabando”, organizado pelos amigos do MC Porto, para o feriado do dia 25 de Abril, com a base em Castelo de Vide. Que grande confusão, não vos parece? Explicando: em boa hora o Ernesto Brochado e os seus companheiros, tiverem a ideia de, ao não efectuarem este ano o seu habitual motorali, substituírem essa actividade por um novo formato de passeio motociclístico, com 3 dias de duração. Achamos interessante e resolvemos aderir. Assim decidimos ir picar o ponto inicial a Évora, no dia 25 de Abril, pelas 10h, tendo rolado calmamente pela EN4, até ao ponto de encontro, onde deparamos com um original pórtico, por onde tínhamos que passar e que originou a curiosidade de todos os passantes, especialmente quando se começaram a juntar mais motos, nomeadamente os animados marafados do MC de Albufeira. Parecia os bons velhos tempos do rally de Monte Carlos, com várias partidas de capitais europeias (Lisboa chegou a ser uma delas). Foi com os companheiros algarvios, que rolamos até Castelo de Vide, onde chegamos cerca das 12h, para o sensacional ponto de encontro, bem no centro (onde tinha sido a chegada duma etapa do LaL do ano passado). Fomos buscar a documentação e umas agradáveis senhas (5) que podíamos usar em diversos bares, devidamente assinalados, para ir picando e bebendo, começando logo ali com um delicioso pratinho de feijão. Ao nosso grupo, quem se juntou? O Vinagre e a São. Estava o baile armado, como podem imaginar. Rapidamente as senhas se esgotaram, mas a sede continuava a imperar (ou melhor…a imperialiar). A tarde foi entrando, assim como a inegável boa disposição, especialmente quando ao grupo original se juntava mais amigos, tipo Gil Alcoforado e Clara, Victor Alexandre, Luis Amaral e mulher, João Krull e Carla, não esquecendo o simpático Presidente da edilidade, que nos proporcionou bons momentos de riso, com as suas anedotas. A ajudar ao riso, não nos podemos esquecer das garrafas de ginja “The Famous Grouse”. Pelo final da tarde havia um passeio, pelas redondezas, para ver o pôr-do-sol em diversos miradouros. Teve que ser um passeio feito muito calmamente…….pois, estão a imaginar, não estão? Houve até quem optasse por ir dormir, pois as pestanas estavam muito pesadas……ehehhehehe.
Para descrever globalmente as festas, socorro-me do texto seguinte, cujos escribas, são os mesmos que nos brindaram com esta magnifico fds grande.
“…À Descoberta de sucesso absoluto
Os sorrisos e aplausos no almoço final, no aprazível espaço da barragem de Póvoa e Meadas, foram a prova inequívoca do enorme sucesso da primeira edição do passeio À Descoberta – Castelo de Vide 2014 - Caminhos do Contrabando. Conceito mototurístico inovador que confirmou a validade da aposta do Moto Clube do Porto em fim de semana de diversão e gastronomia, de paisagens e condução, de história e... liberdade.
Conhecer em pormenor uma região, esmiuçar a paisagem de ambos os lados da fronteira na busca das rotas contrabandistas, procurar e interpretar sinais que tornaram Castelo de Vide importante marco na história do judaísmo em Portugal e descobrir o peso geoestratégico da vila alentejana na consolidação da Nação. Pontos de partida para passeio em moldes pioneiros que atravessou ainda os verdejantes azinhais das Terras de Alcântara até às graníticas paisagens da Beira Baixa, passando pelas bem conservadas aldeias da espanhola Serra da Gata. Tudo num dia pleno de emoções, de enorme intensidade mototurística, com estradas que exponenciaram o prazer de andar de moto, sempre com tempo suficiente para transformar cada uma das diversas paragens em momento de agradável convívio, apaladado com petiscos da gastronomia local.
Mas a inovação de um evento que primou pela diferença, pela atenção dada a cada pormenor e a todos os detalhes, começou nos quatro Pontos de Partida Simbólica, montados no Porto, Conímbriga, Constância e Évora, de onde 222 mototuristas partiram em resposta ao desafio lançado pela Câmara Municipal de Castelo de Vide, aproveitando o revolucionário feriado de 25 de abril, para usufruir de viagem em absoluta liberdade. Forma de ampliar o prazer de viajar desde a porta de casa, integrando os motociclistas desde o primeiro momento até à chegada à Sintra do Alentejo. Onde a animação começou de imediato, com uma Ronda das Tascas que permitiu aconchegar o estômago com petiscos ao longo dos vários estabelecimentos aderentes, recuperando forças para a interessante visita ao centro histórico castelo-vidense. A passagem pelo castelo medieval de planta quadrangular e uma história que remonta aos desaguisados entre os filhos de Afonso III, D. Diniz e D. Afonso Sanches, na disputa pelos direitos de sucessão, foi forma de melhor conhecer tão importante marco. Apoiados no conhecimento de quem sabe, com guias que juntaram enorme simpatia ao absoluto profissionalismo, os turistas (sem moto) passearam ainda pela judiaria, com visita à antiga sinagoga e onde as casas com portas de estrutura gótica ogival denunciam as habitações onde viveram os cristãos-novos, com tempo ainda para visitar a muito adequada exposição dedicada a Salgueiro Maia, herói de Abril nascido em Castelo de Vide. Tudo a tempo de voltar a agarrar na moto para visitar um dos mais interessantes miradouros sobre o vila, apreciando desde o alto de Nossa Senhora da Penha, um tranquilo e muito agradável fim de tarde antes do jantar de boas vindas e, claro, o Concerto Sons de Abril, condizente com a data. Ocasião para por a conversa em dia e antecipar a intensa jornada mototurística prevista para o dia seguinte...
Prazeres intensos
No programa de sábado 423 quilómetros, para cumprir calmamente, apreciando em todo o esplendor primaveril as marcantes paisagens raianas... Ou melhor, aquelas que o denso nevoeiro deixou entrever, reduzindo o brilho dos primeiros quilómetros que muito rapidamente levaram a caravana a entrar em Espanha. Nevoeiro e chuva fraca em reforço de um ambiente que, roubando espetacularidade ao passeio, devolveu em dobro no aspeto misterioso, reforçando mística que envolvia os contrabandistas que, em tempos de maiores apertos, por aqui faziam pela vida, calcorreando serras e vales, fugindo da Guarda Fiscal como o diabo da cruz, carregando às costas o fardo que prometia aligeirar o peso de uma vida muito dura. Homens rijos e pouco faladores, que caminhavam de noite para iludir a vigilância, e dormiam de dia, em pocilgas, para disfarçar o cheiro e enganar os cães que a Guarda Fiscal treinou para tentar encontrar os seus rastos. Mote essencial de todo o passeio, sem esquecer a carga histórica da região, como na passagem por Valência de Alcântara onde o Rei D. Manuel I de Portugal, o Venturoso, desposou Isabel, filha dos Reis Católicos de Espanha. Ou para descobrir que, nos bem tratados azinhais das terras de Alcântara são alimentadas mais de 300 mil porcas criadeiras para uma produção anual de 10 milhões de presuntos Pata Negra. Da bolota que alimenta os suínos, passagem para uma fauna onde proliferam as cegonhas pretas, os grifos ou águias imperiais ibéricas, motivo de conversa durante a pequena pausa para reforço alimentar ao início da manhã, junto à majestosa ponte romana de Alcântara, não sem antes fotografar o não menos imponente Mosteiro de S. Benito de Alcântara.
Ainda com o sol escondido acima de denso manto de nuvens, lá subiu o pelotão à Serra da Gata até à deliciosa aldeia de Robledillo de Gata, plena de motivos de interesse arquitetónico e... gastronómico. O almoço volante foi opção por todos aplaudida permitindo comer de forma rápida, sem confusões e com um convívio que um repasto à mesa dificilmente permitiria. Torre de D. Miguel, Villamiel ou San Martin de Trevejo foram alvos de visita mais atenta, alcançados sempre por estradas excelentes, bem asfaltadas, e sempre com a petisquice a estimular o apetite, provando sabores únicos ao mesmo tempo que se ouviam histórias do tempo do contrabando do café, da carne, do toucinho, dos figos ou das boinas, preparando o regresso a Portugal.
E até o sol se rendeu à festa
Já com o sol por companhia, as colinas de montados, olivais e estevais que emolduram as aldeias graníticas da Beira Baixa receberam os sempre bem-dispostos mototuristas, prontinhos para mais uma paragem gastronómica, desta feita na aldeia-museu de Idanha-a-Velha. No forno comunitário, tempo para provar os boleimes, de original receita judaica, ou os borrachões, bolo típico confecionado com azeito, vinho e aguardente, sabores que acompanharam os aventureiros nas rápidas estradas que marcaram a passagem da Beira Baixa para o Alentejo, em troços entusiasmantes repletos de curvas apetitosas rumo a Nisa. E daí até ao regresso a Castelo de Vide, atravessando parte do Parque Natural da Serra de São Mamede, onde os sorrisos rasgados mostravam o entusiasmo de um dia de forte pendor mototurístico, apoiado pela empresa Antero e pela BMW Portugal.
Boa disposição que emprestou excelente ambiente ao jantar e a momentos de relaxe no centro de Castelo de Vide, preparando uma manhã de descontração absoluta, em passeios de gaivota, atividades ao ar livre no Parque Aventura, ou na Rota Megalítica, mostrando a curiosa Anta dos Pombais ou o Menir da Meada, o mais alto da Península Ibérica. Aperitivo para animado almoço nas margens do lago formado pela barragem de Póvoa e Meadas, com a tradicional fotografia de grupo a marcar o ponto final da primeira edição do À Descoberta – Castelo de Vide 2014 – Caminhos do Contrabando com promessa de continuidade em 2015….”
Uma palavra final para referir que este modelo está super aprovado, pela tranquilidade e prazer que nos proporciona. As refeições volantes foram excelentes e muito bem distribuídas. Parecia que cada vez que o estômago dava horas, a organização nos brindava com um respasto, realçando a MAGNIFICA! Paella em San Martins de Trevejo. Uma outra palavra, para o nosso companheiro (pendura!! J ) da viagem de sábado, o Vinagre e a São, que ao virem estrear a máquina nova, muito alegraram a nossa viagem, embora tenha aprendido muitas palavras “estranhas”, durante todo o dia….ahahah.
No último dia depois do almoço na paisagem da Barragem de Póvoa e Meadas, o regresso foi calmo, rolando em conjunto com um grupo de amigos, até casa, com paragem em Nisa e Couço, já que o calor apertava e assim podíamos desfrutar melhor do passeio.

Uma última palavra: Parabens MC Porto!!
As memórias fotográficas do passeio, podem ser vistas em:

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

2014.04.12/13 - Fim de semana por Fátima

Na continuação dos nossos passeios mensais, fomos até Fátima. E porquê Fátima, perguntam vocês? Como cada maluco tem a sua ideia, a nossa é de que cada vez que temos uma viatura nova, passamos com ela em Fátima – não que sejamos católicos praticantes, mas pelo sim, pelo não, mais vale prevenir. Como temos a Gabriela, perdão, um Mini de 1982, recentemente adquirido à minha irmã e que sempre foi uma carro da nossa família, lá tínhamos um bom motivo para ir passear até Fátima. Como somos sortudos, eis que muito perto da data da ida, somos brindados, com uma bênção dos Minis, organizada pelo Clube Mini de Portugal, do qual a Gabriela faz parte, no dia 13 de Abril…..em Fátima!! Melhor seria impossível, até porque já havíamos previamente reservado esse fim de semana, para a grande passeata com o Mini (para um carro de 32 anos, ir a Fátima, já é uma aventura).
No sábado dia, 12, levantamo-nos fresquinhos, um belo duche, malinha feita, chave na ignição; chave na ignição…..ups!; chave na ignição……e a magana não quis trabalhar. Ainda tentamos alguns truques, mas a mesma disse que não trabalhava e então resolvemos não arriscar. A ideia era ser um calmo fds, de preferência indo e voltando na mesma viatura. Como devem imaginar, bufei, disse 427 palavrões (mais coisa, menos coisa) e fui perguntar se a Sigonha (Honda Varadero, para os mais distraídos) nos levava a Fátima. Ela saltou do seu descanso central e disse: buga!!.
Assim com um atraso de mais de uma hora saímos para o nosso destino, de uma forma tranquila, pela EN118, passando por Benavente, Salvaterra de Magos, Benfica do Ribatejo, Almeirim…..umh!! Almeirim, tem sopa da pedra e esta história da ignição do Mini, além de me irritar…deu-me uma fome, do tamanho da raiva (e da tristeza), pelo que decidimos ir almoçar ao Pinheiro – para nós o melhor restaurante de Almeirim. Mas como um azar não vem só, estava fechado, pelo que descemos um pouco a rua e fomos ao David Parque, onde nunca tínhamos ido. Foi uma agradável surpresa, pelo serviço a bela sopa da pedra e uma deliciosa açorda de camarão, com vinho da casa, café e uns queijinhos frescos de entrada, tudo por 19,20€. Será uma bela alternativa ao Pinheiro.
Arrancamos calmamente, seguindo por Santarém, apanhando a EN3, em direcção a Alcanena, onde fizemos uma paragem obrigatória na Igreja onde nos casamos em 1994. Tempo de matar saudades, passar pela enorme casa onde vivemos e que boas recordações nos deram. Seguimos caminho, embrenhando-nos pela serra de Aires e Candeeiros, em direcção a Fátima, onde chegamos cerca das 17h. Fomos directos ao belo hotel que nos esperava: Hotel Estrela de Fátima, mesmo em frente da Basílica. A recepção, foi super agradável, explicando-nos tudo e entregando-nos os vouchers para a visita às grutas da moeda (que ficaria para o dia seguinte). Ao chegarmos ao quarto, deparamo-nos com uma bela garrafa de frisante rosé e um apetitoso prato de fruta fatiada. Que belos miminhos. Depois de arrumar a Sigonha na garagem (neste primeiro dia rolamos 131 kms), ainda demos uma pequena volta pelo Santuário e sua envolvente, mas decidimos voltar ao quarto, para degustar a fruta e o vinho e descansar.
Pelas 20.30h, dirigimo-nos ao restaurante, onde nos serviam o jantar (incluído no pacote do hotel, mas sem bebidas). A sala estava cheia e como não tínhamos feito reserva (tinham-nos dito na recepção, que não era necessário), ficamos quase uma hora à espera de jantar. Como detesto esperar para comer, fomos dar um pequeno passeio a pé, para abrir o apetite. Quando regressamos, forma muito atenciosos, pela nossa paciência e deram-nos uma boa mesa. O jantar era buffet e foi muito agradável, regado com uma com um tinto da casa Ermelinda de Freitas, Quinta da Mimosa. Depois de jantar tempo de ir desfrutar do Santuário by night. Foi muito giro, a noite estava fresca, mas suportável, com algum nevoeiro, o que permitiu belas fotos.
No domingo, acordamos com um belo sol e depois do pequeno-almoço, demos uma última caminhada, antes de rumar às grutas da Moeda. Ainda passamos pelo hotel onde estavam os minis (que pena….). Na chegada às grutas que distam cerca de 2 kms de Fátima, tivemos oportunidade de entabular conversa com garbosos proprietários de minis, que lá estavam, tendo sido um momento agradável de troca de experiências, viagens e vivências. O guia que nos levou pela visita que dura cerca de 40mns, foi excelente: simpático, conhecedor e com uma capacidade de nos entusiasmar por esta beleza natural, que é propriedade privada, muito bem cuidada, embora com alguns artificialismos, que se entendem, pelo prazer e emoção que nos proporcionam. Excelente jogo cromático, que nos entusiasma. O guia no final ainda nos ciceroniou, extra visita, pelo Centro de Interpretação Cientifico-ambiental, extremamente rico e bem organizado – embora estivesse fechado ao público para reorganização. No final tempo para comprar uma garrafa de abafadinho local. O regresso foi feito bem pelo interior da serra em direcção, passando por Alqueidão da Serra, Porto de Mós, Alcaria, Alvados, Mira de Aire e Minde. Como o estômago já dava horas, decidimos para perto da Zibreira, no Cabaças, que nos serviu um belo almoço. Um agradável espaço, com um toque gourmet, serviço simpático, umas entradas muito apetitosas, rebatido com sopa e frango na brasa (à moda da Guia). No final um café, tudo por 24,99€.

Já orientados para o regresso a casa, pedimos ao GPS, por nos levar por calmo caminho. E não é que ele nos fez a vontade? Uma “estradinha bem de interior” fabulosa e pitoresca, que nos levou por São Vicente do Paúl, Vale de Figueira, vindo terminar na ponte antiga de Santarém, na EN114. Depois foi o habitual trajecto até Santo Estêvão, tendo no total dos dois dias percorrido 270Kms. Significa que gastamos cerca de 16lt de combustível, as refeições mencionadas e o voucher da Groupon, que incluía dormida, jantar e entrada nas grutas, tudo por 59€ (mais 18,80€ de extras no hotel). Foi um fds 3B´s (bom, bonito e barato). Até breve, num passeio perto de si.
A memória fotográfica está em: