quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

2013.12.21/22 - Passeio pela Costa da Caparica


COSTA DA CAPARICA

A HISTÓRIA
A Costa da Caparica é cidade desde 9 de Dezembro de 2004, tendo sido elevada a vila em 1985, situada na freguesia do mesmo nome (desde 1949), concelho de Almada, distrito de Setúbal (?). Tem 11.708 habitantes, a que se adicionam na época balnear cerca de 35.000 visitantes. Está situada a sul de Lisboa, com acesso pela Ponte 25 de Abril, a uns escassos 15 mn de viagem (15 Kms). Está situada na orla costeira e é em grande parte resultado de um recuo do Oceano, “entalada” entre a escarpa (Arriba Fóssil da Costa da Caparica) e o mar, resultante daquele abaixamento progressivo. É a maior praia contínua do país, com uma extensão de aproxidamente 30 kms, entre a margem esquerda do Tejo e a Lagoa de Albufeira.
A ORIGEM DO NOME
Conta a lenda, que numa pequena povoação risonha e sobranceira ao mar, a meio caminho entre Almada e o Oceano, por cima da falésia ao Sul do Tejo, vivia uma pobre velhinha esfarrapada e com um corpito magro diminuido pelos anos. Arrastava-se com dificuldade envolta na sua capa remendada num xadrez caprichoso e multicolor. Chamavam-lhe bruxa e avarenta, sendo com frequência escorraçada e recusavam-lhe a esmola com enfado, sendo suposto possuir muito dinheiro escondido não se sabia onde, tendo vivido anteriormente com abastança e que possuía bens segundo a descrição da vizinhança. Nunca faltou à missa, caminhando entre montes e vales, ficando encolhida a um canto, embrulhada na capa a pesar-lhe sobre os ombros. Ao voltar, devagar e vergada com o peso dos anos, seguia pacificamente pedindo, pedindo sempre. Estranhando a sua prolongada ausência, as gentes do lugarejo foram á sua humilde cabana, onde a encontraram morta e o seu corpito envolto na sua capa. com admiração de todos, a seu lado encontrava-se uma carta para EL-Rei. Perante surpresa do soberano, a pobre velha legava-lhe a capa, mediante promessa de se proceder à construção duma Igreja no povoado. Surpreendido com o peso da oferecenda, este mandou rasgá-la, começando a cair do seu forro uma grande quantidade de dobrões em ouro. Depois do desejo cumprido, ainda sobrou fortuna, daí terem surgido várias povoações com o sobrenome de CAPA-RICA.


PROGRAMA
10.00 – Costa da Caparica – Mercado
10.30 – Costa da Caparica – Passeio, incluindo paredão, Igreja Matriz, Rua dos Pescadores
12.30 – Fonte da Telha - Almoço
14.30 - Fonte da Telha - Centro de interpretação da Arriba Fóssil
17.30 – Costa da Caparica – Hotel Meliã Capuchos – Entrada
18.30 – Costa da Caparica – Hotel Meliã Capuchos – Massagem
21.30 – Costa da Caparica – Hotel Meliã Capuchos – Jantar de sushi
09.30 – Costa da Caparica – Hotel Meliã Capuchos – Pequeno almoço
10.00 – Miradouro e Convento dos Capuchos
11:00 – Costa da Caparica – Passeio matinal
12.00 – Cova do Vapor
12:30 – Trafaria – Almoço
12:30 – Almoço
15:00 – Costa da Caparica – Flash Mobs de Natal (grupo de danças de Natal)

COMO CORRREU
Os Motogatos voltaram à estrada, para um passeio de fim de semana até à bela cidade da Costa da Caparica e as suas envolventes. Saímos de casa cerca das 9h, com 0º….vida de motard é dura J, rolando calmamente até à Costa da Caparica, usando a A33, saindo em Coina pela EN10, até Almada e a partir daí usando o IC20 até ao destino, onde chegamos cerca das 10h. Paramos junto ao típico mercado, bem no centro da Costa, na Praça da Liberdade, onde tomamos um normal (segundo) pequeno almoço, mais que tudo para reaquecer as “manitas”, que estavam um pouco congeladas. Depois de aquecidos, fomos passear pela cidade, começando pelo mercado, pequeno, mas simpático, limpo, arrumado e cheio, onde se poderam tirar umas coloridas fotos (pena ainda não terem cheiro). No exterior estava uma exposição / feira de Natal, simpática. De seguida subimos pela famosa Rua dos Pescadores, que corta a Costa em direcção ao mar. Hoje está cheia de lojas de orientais e bancas de rua, como coloridos gorros e lãs, comercializados por simpáticos e humildes equatorianos. No final da rua, batemos de frente com o mar que estava pujante de ondulação, não só na linha de costa, mas também ao largo – que ao final do dia haveria de vitimar 6 pescadores, infelizmente. O paredão, após o programa pólis, está habitado pelos típicos bares e restaurantes da Costa, com destaque para o “Barbas”, com 3 pavilhões, cada um com conceitos diferentes, o Carolina do Aires ou o Dragão Vermelho. O paredão estava, como de costume muito movimentado, com faunas distintas, mas realce para a simpática colónia brasileira que vive na Costa. Subimos o paredão para Norte e saímos no enfiamento da Avenida 1.º de Maio, para ir visitar a Igreja Matriz, com traça rectílinea e simples, sem grandes adornos no seu interior. Seguimos, em direcção à avenida principal da Costa, que recebe o tráfego vindo de Lisboa/Almada e dá acesso à Trafaria (Norte) e Fonte da Telha/Praias (sul). Depois deste passeio pedestre, voltamos ao mercado, para montar a Sigonha e seguir até à Fonte da Telha, dando ainda algumas voltas pelas ruelas da Costa.
Chegados à Fonte da Telha, sem ter feito qualquer paragem pela correnteza das belas praias a Sul da Costa (Rainha, Rei, Morena, Pescadores, Riviera, 19, entre outras), deparamo-nos com as típicas casas piscatórias deste aglomerado, arrumado entre a Mata dos Medos e a sua arriba e o mar. Estamos a falar de uma linha de casas, com cerca de 2000mts, para cada lado, paralelas ao mar, tendo no seu centro um largo com diversos restaurantes. Depois de uma volta para cada lado o apetite e o cheiro a carvão, levou-nos a subir até à agradável esplanada situada no 1.º andar do “Aqui peixe e companhia”, onde degustamos uma honesta e saborosa posta de peixe-espada. Para sobremesa, veio uma original maçã assada, envolta em massa folhada (e esta hem!?!?!?). Serviço simpático e rápido. Ficou-nos na ideia o arrozinho de polvo – mas fica para a próxima. O repasto, com vinho, entradas e café, ficou por 32,55€, com a magnífica vista para a praia incluída, com visão desde o cabo Espichel até à Costa do Estoril.
Depois de almoço subimos a rampa de saída e estacionamos, junto à entrada da Mata Nacional dos Medos, para dar um passeio pedestre de 1 hora e pouco, conforme descrição no programa do passeio. Andamos mais que os 2 kms previstos, porque a meio do passeio, lembrei-me que a chave tinha ficado na ignição (imaginam a cara da “pendura”…ahahaha). Depois da passeata a pé, montamos a Varadero e usando a estrada da Charneca da Caparica, fomos até aos Capuchos, onde chegamos com o sol a pôr-se no horizonte, para pernoitar no Hotel Meliã Aldeia dos Capuchos, situado no cimo da arriba da Costa e com uma localização visual privilegiada. Para esta estadia tínhamos um voucher da Goodlife, no valor de 149€, que além de uma noite de dormida, incluía 2 massagens de relaxamento (30mn), que foram muito boas e um jantar de sushi (que estava delicioso). Serviço impecável, embora o hotel, sendo novo, a necessitar de algumas reparações. Tivemos acesso à piscina interior aquecida e o SPA. A Sigonha dormiu na garagem coberta.
No Domingo, acordamos com outro belo dia de sol. Tomamos o pequeno almoço e saímos em direcção ao miradouro dos Capuchos, que tem uma vista soberba sobre a Costa da Caparica, a entrada da barra de Lisboa e a própria linha do Estoril, desde Lisboa, quase até Cascais. Em cima da mota, um pequeno regresso até ao Convento dos Capuchos, com a sua igreja, que estava fechada, mas deu para visitar o seu peculiar jardim. Depois rumamos até à Costa da Caparica, para novo passeio pedestre pelo paredão, com café incluído. Pegamos na mota e rumamos para norte, para uma visita a outro típico aglomerado de pescadores, conhecido por Cova do Vapor, o bico que faz esquina entre o Atlântico e o Tejo, de frente para o farol do Bugio. Tempo para mais umas fotos e rumamos até à Trafaria, local banhado pelo Tejo, terra de mariscadores (apanha de bivalves), rodeada pelo imponente silo de cereais e pelo desactivado presídio militar da Trafaria. Tem uma estação fluvial, para os cacilheiros que a ligam a Lisboa (Belém), com eventuais passagens pelo Porto Brandão. Decidimos, em boa hora, almoçar no restaurante Antiga Casa Maritima. Delicioso repasto, com queijinho fresco, conquilhas, uma excelente e genuína caldeirada de peixe, acompanhada por um branco Paço do Teixeiró, rebatido por um bolo de bolacha e cafés. Serviço impecável e atento, numa casa absolutamente acolhedora e cheia de preciosidades antigas. Absolutamente recomendável! O almoço valeu os 40,45€ que custou. Depois para desmoer, um passeio pela marginal, para reter na máquina fotográfica o ambiente deste agradável local, onde querem construir um terminal de contentores (mais uma negociata!!). Antes de regressarmos a casa, ainda voltamos à Costa da Caparica, para assistir a uma festa de rua – Flash Mobs de Natal, com bailarinos e cantores jovens, que deram um colorido muito interessante a uma engalanada cidade que sabe receber os seus visitantes. Quando chegamos a casa o registo electrónico indicava que tínhamos percorrido 193 Kms, a uma média de 56 km/h. Não reabastecemos a mota, porque tinha o tanque cheio quando saímos, mas presumimos que consumiu cerca de 12/13 lts, no total. Não houve portagens nenhumas.
Fim de semana, bem passado, descontraído. No próximo passeio, rumaremos até às minas de São Domingos, no Alentejo raiano.
As fotos todas estão em:



PERCURSO DO CENTRO DE INTERPRETAÇÃO DA MATA DOS MEDOS
Para chegar siga pela via rápida IC-20, que faz a ligação à auto-estrada A2. Na entrada da Costa de Caparica, desvie à esquerda. Siga sempre em frente até à Estrada Florestal (direção praias) na direção da Fonte da Telha. Antes da descida para essa povoação, imediatamente antes, encontra-se o Centro de Interpretação da Mata dos Medos (CIMM)


Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica. Percurso pedestre do Centro de Interpretação da Mata dos Medos (CIMM). Caminho do Museu das Árvores; Caminho das Artes; e Caminho do Altinho do Mar. Flora. Breve descrição.

Ponto de partida e chegada: Centro de Interpretação da Mata dos Medos (CIMM)
Extensão aproximada: 2 km.
Duração: 1h:30min a 2 h.
Dificuldade: fácil.
Tipo de itinerário: circular.
Centro de Interpretação da Mata dos Medos (CIMM)

Breve descrição
O trilho CIMM é um percurso circular ao Centro de Interpretação da Mata dos Medos (CIMM) na Reserva Botânica da Mata Nacional dos Medos, junto à Fonte da Telha. Deste trilho fazem parte os seguintes trajetos:
§  Caminho do Museu das Árvores;
§  Caminho das Artes; e
§  Caminho do Altinho do Mar.

Caminho do Museu das Árvores
À saída do portão verde pequeno do CIMM vira-se à esquerda e atravessa-se a estrada florestal. Estando de frente para o parque de merendas, entra-se na Reserva Botânica da Mata Nacional dos Medos para norte, pelo caminho da esquerda.
A Mata dos Medos, situada no topo da arriba fóssil, terá sido mandada instalar pelo rei D. João V com o objetivo de evitar o avanço das areias das dunas ou "medos" (lê-se "médos") para os terrenos agrícolas interiores.
A observação da flora e fauna, a contemplação da estética do lugar, as árvores e os seus contornos, os cheiros e os aromas, os sons, as texturas e as brisas frescas são marcas do Caminho do Museu das Árvores.
 
Mata Nacional dos Medos e sinalização deste percurso.
Encontrado o primeiro aceiro (i.e. corta fogo) é tempo de admirar a harmonia entre o pinheiro-manso Pinus pinea, a sabina-das-praias Juniperus turbinata, a aroeira Pistacia lentiscus e o espinheiro-negro Rhamnus lycioides ssp. oleoides.
Entre o primeiro e o segundo aceiro exibe-se, do lado direito do caminho, a Árvore Especial, um pinheiro-manso em forma de coração.
Passado o segundo aceiro, os pinos, colocados no solo, indicam a direção até ao Caminho das Artes. Caminha-se para oeste.

Caminho das Artes
Este caminho, com marcações a laranja (ver foto ao lado) leva-nos ao aceiro, ao longo do qual se exibe alguma da flora mais característica da Reserva Botânica da Mata Nacional dos Medos. Dependendo da época do ano, adornam este aceiro, inclinado sobre o mar, a perpétua-das-areiasHelichrysum italicum ssp picardii, o morrião-perene Anagallis monelli, a joina-das-areias Ononis ramosissima, entre outras. 

Joina-das-areias Ononis ramosissima em flor.
O Caminho das Artes culmina no Lugar dos Sentidos, situado no topo da arriba fóssil, de onde se pode admirar o mar em todo o seu apogeu.
Segue-se para sul, pelo caminho selvagem, até ao parque de merendas da Fonte da Telha. Ao caminhar pelo caminho selvagem a arriba fóssil vai surgindo num perfil de imponência e grandiosidade. Numa mistura de cores ornamentam o caminho o rosmaninho Lavandula luisieri, o fel-da-terra Centaurium erythraea, a roselha-pequena Cistus crispus e o sanganho-mouro Cistus salviifolius.
 
Duas plantas da família da esteva, o Sanganho-mouro Cistus salviifolius, à esquerda, e a Roselha-pequena Cistus crispus, à direita.

Caminho do Altinho do Mar
Atravessa-se o parque de merendas da Fonte da Telha, em direção a sul. O altinho do mar situa-se no aceiro. Siga as marcações a azul (ver foto abaixo).

Uma das marcações do caminho do Altinho do Mar.
A paisagem, o mar, os aromas, os sons, a arriba fóssil, o ‘jardim de aromáticas’ numa combinação de perpétua-das-areias Helichrysum italicum var. picardii, rosmaninho Lavandula luisieri, camarinha Corema album, tomilho Thymus capitellatus e assembleia-das-areias Iberis ciliata ssp. welwitschii, despertam os sentidos e a curiosidade de qualquer visitante e fazem deste, um lugar muito especial na Reserva Botânica da Mata Nacional dos Medos.


FONTES DE INFORMAÇÃO


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