Para fazer este moto-rali até Vinhais, percorremos 1.121Kms, que nos levaram a uma zona muito bonita, num autêntico moto-gastronomia (esqueçam lá o moto-rali), simpáticamente organizado pelo Miguel do Motocruzeiro de Bragança e a sua dedicada equipa.
Para narrar o passeio socorro-me da prosa, muito bem escrita pelo Pai (Ernesto Brochado da FMP):
Sob a batuta do esforçado Miguel Sampaio,
37 equipas de todo o país, constituindo um animado de grupo de cerca de 60
mototuristas, deliciaram-se pelos soutos e carvalhais do Nordeste Transmontano.
E regressaram deste fim de semana de 29 e 30 de março de barriga cheia de
paisagens e… presunto, alheira, chouriça, queijo, carne…
Para o Guinness… à mesa
De facto, o que faltou em surpresas
organizativas, cuidados e requintes mototurísticos, pormenores de road-book ou
interpretação da paisagem, encarnação das gentes, usos e costumes, etnografia e
arquitectura tradicional, entre muitos outros items desta tão querida
actividade motociclística, sobejou em comida e mais comida, algumas das vezes
servida em bonitos ambientes de aldeias transmontanas.
Pouco após a partida da sede do
MotoCruzeiro, no sábado de manhã (um dia muito tristonho, por sinal mas que
nunca beliscou a disposição dos participantes), os mototuristas começaram-se a
aperceber da incrível simplicidade do road-book, do quão naif eram os
“controladores” mas que, em contrapartida, de 30 em 30 minutos havia paragens
para comer, de aldeia em aldeia. Foi assim todo o santo sábado que, para além
do almoço e jantar, teve mais 5 lanches! Ou seja, se contarmos com o
pequeno-almoço, neste dia tivemos 8 (!) refeições!
Moto-rali em caravana
Então o que aconteceu? Os participantes,
de muitos motoclubes, mudaram o chip, alhearam-se das poucas e fáceis perguntas
colocadas, esqueceram tempos, difíceis de cumprir devido aos atrasos causados
pela comida que ia aparecendo à mesa para surpresa até do próprio clube
organizador, juntaram-se em grandes grupos e foram gozando as fantásticas
estradas de Montesinho, esquecendo autenticamente o facto de estarem num
moto-rali pontuável para o troféu FMP.
E assim foram felizes no fim de semana.
O tempo chuvoso não ajudava à fotografia,
mas os rijos e escarpados vales do Rio Rabaçal ficaram na retina de todos.
Encostados à fronteira espanhola, os motociclistas conheceram excelentes
estradas, novas ou arranjadas, que quebram agora o isolamento de aldeias como
Casares, Espinhosela, Parâmio, Tuizelo, Santalha, Gestosa e Lomba, Dine, Fresulfe
e Mofreita. Isto só para referir as cujas Juntas de Freguesia apoiaram o
evento.
A maioria são terras belíssimas onde já se
começa a recuperar a varanda, a fachada, o portão tradicional em contraponto à
descaracterização que sofreram em décadas idas. Combatendo a desertificação,
jovens voltam e apostam no turismo, recuperando casas e aldeias e deixando nos
mototuristas a vontade do regresso, mal possam.
Foi isto a mais valia deste moto-rali.
Soltem o javali
Mas houve mais.
Após um sábado em que a organização narrou
uma data de lendas locais, dando ideia de que este moto-rali se poderia chamar
“As Mouras de Bragança”, o domingo trouxe ensinamentos:
a comprida, interessante e divertida
visita guiada ao Parque Biológico de Vinhais mostrou a fauna e flora local e a
importância de não causar desequilíbrios no sempre frágil ecossistema que nos
rodeia, tão importante para o bem estar da humanidade. Passa-nos pela cabeça ir
praticar mototurismo em zonas industriais e rios poluídos?
O Parque Biológico de Vinhais é uma obra
inspirada no seu congénere de Gaia, mas com as adaptações próprias para
Trás-os-Montes. Inclusivamente tem casinhas de madeira para receber o
visitante. E foi aí que dormiu metade da caravana, entre javalis e corços. Um
luxo, adormecer ao som da coruja-do-mato.
O domingo ainda traria outra surpresa: a
Lorga de Dine, uma gruta natural habitada por antepassados e agora por morcegos
incomodados pela nossa presença nas imediações desta bonita aldeia
transmontana.
Resumo: grande passeio pelo Parque Natural
de Montesinho. Regressamos a casa mais gordos e satisfeitos. Para o ano lá
estaremos novamente, mesmo sabendo que o MotoCruzeiro não vai evoluir em nenhum
aspecto organizativo. Deixem-se estar assim que tem clientela!
No pódio final, em Mofreita, Fernando e
Carla Silva regressaram às “vitórias”, secundados pelo Tomás Reis e Marco Dias,
graças à tentativa de regularidade entre tanta comida e com muita sorte à
mistura devido às constantes alterações de horários.
As fotos do evento podem ser todas vistas em:
https://plus.google.com/photos/117846960715278019029/albums/6021371674849894129?authkey=CJCuirqg39b9cA