quinta-feira, 5 de junho de 2014

2014.03.29/30 - MOTO-RALI VINHAIS (MOTOCRUZEIRO)


Para fazer este moto-rali até Vinhais, percorremos 1.121Kms, que nos levaram a uma zona muito bonita, num autêntico moto-gastronomia (esqueçam lá o moto-rali), simpáticamente organizado pelo Miguel do Motocruzeiro de Bragança e a sua dedicada equipa.
Para narrar o passeio socorro-me da prosa, muito bem escrita pelo Pai (Ernesto Brochado da FMP):
Sob a batuta do esforçado Miguel Sampaio, 37 equipas de todo o país, constituindo um animado de grupo de cerca de 60 mototuristas, deliciaram-se pelos soutos e carvalhais do Nordeste Transmontano. E regressaram deste fim de semana de 29 e 30 de março de barriga cheia de paisagens e… presunto, alheira, chouriça, queijo, carne…
Para o Guinness… à mesa
De facto, o que faltou em surpresas organizativas, cuidados e requintes mototurísticos, pormenores de road-book ou interpretação da paisagem, encarnação das gentes, usos e costumes, etnografia e arquitectura tradicional, entre muitos outros items desta tão querida actividade motociclística, sobejou em comida e mais comida, algumas das vezes servida em bonitos ambientes de aldeias transmontanas.
Pouco após a partida da sede do MotoCruzeiro, no sábado de manhã (um dia muito tristonho, por sinal mas que nunca beliscou a disposição dos participantes), os mototuristas começaram-se a aperceber da incrível simplicidade do road-book, do quão naif eram os “controladores” mas que, em contrapartida, de 30 em 30 minutos havia paragens para comer, de aldeia em aldeia. Foi assim todo o santo sábado que, para além do almoço e jantar, teve mais 5 lanches! Ou seja, se contarmos com o pequeno-almoço, neste dia tivemos 8 (!) refeições!
Moto-rali em caravana
Então o que aconteceu? Os participantes, de muitos motoclubes, mudaram o chip, alhearam-se das poucas e fáceis perguntas colocadas, esqueceram tempos, difíceis de cumprir devido aos atrasos causados pela comida que ia aparecendo à mesa para surpresa até do próprio clube organizador, juntaram-se em grandes grupos e foram gozando as fantásticas estradas de Montesinho, esquecendo autenticamente o facto de estarem num moto-rali pontuável para o troféu FMP.
E assim foram felizes no fim de semana.
O tempo chuvoso não ajudava à fotografia, mas os rijos e escarpados vales do Rio Rabaçal ficaram na retina de todos. Encostados à fronteira espanhola, os motociclistas conheceram excelentes estradas, novas ou arranjadas, que quebram agora o isolamento de aldeias como Casares, Espinhosela, Parâmio, Tuizelo, Santalha, Gestosa e Lomba, Dine, Fresulfe e Mofreita. Isto só para referir as cujas Juntas de Freguesia apoiaram o evento.
A maioria são terras belíssimas onde já se começa a recuperar a varanda, a fachada, o portão tradicional em contraponto à descaracterização que sofreram em décadas idas. Combatendo a desertificação, jovens voltam e apostam no turismo, recuperando casas e aldeias e deixando nos mototuristas a vontade do regresso, mal possam.
Foi isto a mais valia deste moto-rali.
Soltem o javali
Mas houve mais.
Após um sábado em que a organização narrou uma data de lendas locais, dando ideia de que este moto-rali se poderia chamar “As Mouras de Bragança”, o domingo trouxe ensinamentos:
a comprida, interessante e divertida visita guiada ao Parque Biológico de Vinhais mostrou a fauna e flora local e a importância de não causar desequilíbrios no sempre frágil ecossistema que nos rodeia, tão importante para o bem estar da humanidade. Passa-nos pela cabeça ir praticar mototurismo em zonas industriais e rios poluídos?
O Parque Biológico de Vinhais é uma obra inspirada no seu congénere de Gaia, mas com as adaptações próprias para Trás-os-Montes. Inclusivamente tem casinhas de madeira para receber o visitante. E foi aí que dormiu metade da caravana, entre javalis e corços. Um luxo, adormecer ao som da coruja-do-mato.
O domingo ainda traria outra surpresa: a Lorga de Dine, uma gruta natural habitada por antepassados e agora por morcegos incomodados pela nossa presença nas imediações desta bonita aldeia transmontana.
Resumo: grande passeio pelo Parque Natural de Montesinho. Regressamos a casa mais gordos e satisfeitos. Para o ano lá estaremos novamente, mesmo sabendo que o MotoCruzeiro não vai evoluir em nenhum aspecto organizativo. Deixem-se estar assim que tem clientela!
No pódio final, em Mofreita, Fernando e Carla Silva regressaram às “vitórias”, secundados pelo Tomás Reis e Marco Dias, graças à tentativa de regularidade entre tanta comida e com muita sorte à mistura devido às constantes alterações de horários.
As fotos do evento podem ser todas vistas em:

https://plus.google.com/photos/117846960715278019029/albums/6021371674849894129?authkey=CJCuirqg39b9cA